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Pedocatofilia: A Polónia perde a fé

por Thynus, em 25.07.10

A lista de escândalos sexuais relacionados com a Igreja Católica está aumentando a cada dia. As últimas notícias colocam a catolicíssima Polónia e ainda os Estados Unidos no centro das atenções.
Se fosse uma guerra, a atualização diária dos fatos seria um relatório que, no respeitante à reprovação, seria segunda (talvez), logo imediatamente após as atrocidades cometidas pelos nazistas. Irlanda, Estados Unidos, Itália, Alemanha, Canadá, Espanha, Chile: apenas para citar alguns países onde o escândalo pedocatofilia explodiu e foi divulgado. O escândalo é global e a lista de países onde a Igreja Católica está, de alguma forma ligada, aumenta, dia após dia, esperando-se ainda por notícias de África, que, estranhamente, tardam a chegar. Agora é adicionada à lista de infratores a igreja polonesa. No centro da tempestade está de volta mais uma vez Juliusz Paetz, o ex-arcebispo de Poznan, que em Fevereiro tinha sido acusado de assédio sexual por meia dúzia de jovens seminaristas.
Suspenso em 2002, no início deste verão sobre Juliusz Paetz circularam rumores ambíguos, provenientes do Vaticano, que tentou conceder-lhe de novo o seu antigo cargo. Mas a ameaça de demissão de seu sucessor, o arcebispo Stanislaw Gadecki, caso Paetz fosse novamente autorizado a administrar os sacramentos, levou à suspensão de tal medida. O Vaticano negou de alguma vez ter reconsiderado uma revisão do estatuto de Paetz. O fato é que Paetz, após a sua suspensão, moveu mares e montanhas a fim de encobrir o caso, tentando desviar a atenção pública de sua posição de acusado de pedofilia com o seu compromisso político, aparecendo em eventos de forte impacto como no funeral do presidente polonês Lech Kaczynki, causando por outro lado a consternação dos mais altos prelados. A conseqüência foi de qualquer forma um forte e contínuo afastamento dos fiéis da religião católica, que durante 50 anos sob o comunismo, tinha criado uma "bolha" contra a ditadura, permitindo seja a eleição do Papa João Paulo II como a germinação daquele que será depois o para-católico Movimento de Solidariedade de Lech Walesa. Agora parece que é hora de fazer as contas com aqueles prelados, altos ou não, que exploraram o trabalho da Igreja para usufruir dos seus benefícios nojentos.
Dos Estados Unidos, por sua vez, vem uma notícia que, a ser verdade, é ainda mais desconcertante. Mike Jones, um acompanhante gay que já há dois anos, tinha acusado Ted Haggard, antigo pastor evangélico, de ter mantido relações sexuais em festas à base de metanfetamina, numa longa carta-entrevista ao The Beast Dealy Beast diz das suas sobre os escândalos que estão aterrorizando a Igreja americana. E desta vez vem à baila o nome do padre Kevin J. Gray, da Igreja do Sagrado Coração de Waterbury, Connecticut. O acompanhante acusa Gray de desviar dos fundos da igreja cerca de $ 1,3 milhões de dólares para pagar as suas "escapadelas" e financiar a “bella vita”, sua e dos seus protegidos. Cartões de crédito, apartamentos e, pelo menos num caso, o pagamento de um curso de formação para os seus amantes. No momento as alegações de Mike Jones estão apenas no papel. A sua é mais uma história e uma narração de um americano destroçado, onde pelo menos 15% dos seus clientes pertencem ao clero. O padre Gray até ao momento não emitiu declarações, mas não há dúvida de que estas novas acusações em breve abrirão uma nova brecha no já manchado clero americano. As palavras de Jones, aliás, vêm num momento muito inoportuno para a Igreja americana, hoje, a mais afetada pelo escândalo da pedocatofilia, e contribuem para alimentar dúvidas, receios e desconfiança em relação àqueles que deveriam ser os protetores imaculados da fé. No momento também esta pedra foi lançada. Vamos ver se e quando vai chegar ao destino.

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publicado às 01:02


O Vaticano contra as mulheres

por Thynus, em 16.07.10

Nos países anglo-saxónicos são muitos os comentários indignados pela equiparação entre abusos sexuais e sacerdócio das mulheres contidos nas novas normas da igreja romana . "O fato de que as mulheres queiram servir a Deus não tem nada a ver com os padres que abusam de crianças".
O documento apresentado nos últimos dias pela Congregação para a Doutrina da Fé deveria ser um documento que revelasse a boa vontade do Vaticano em tratar corretamente o escândalo dos abusos sexuais que abalou o mundo católico, no último ano.
O documento, que introduz um novo conjunto de regras para investigar e processar padres pedófilos e membros de ordens religiosas, no entanto, decepcionou muitas associações comprometidas contra os mesmos abusos e muitas vítimas. Além disso, ao invés de conter a indignação que orbita ao redor da Igreja, despertou novos protestos de grupos católicos liberais e de grupos católicos femininos - especialmente em países anglo-saxões -, porque inscreve "a tentativa de ordenação de uma mulher" entre os crimes mais grave do direito canónico, ao lado dos abusos sobre menores.
Por indiferença aos dogmas religiosos mais anacrônicos, na Itália deu-se pouco destaque a este aspecto do documento, que torna “lei eclesiástica” a inacessibilidade para as mulheres de assumir cargos de responsabilidade dentro da Igreja. No resto do mundo, no entanto, o novo conjunto de regras não foi considerado satisfatório, desde muitos pontos de vista. Mas, em particular, a formalização tão violenta e fora do contexto da posição do Vaticano sobre a ordenação das mulheres, que efetivamente encerra qualquer possibilidade de discussão sobre o papel das mulheres na hierarquia da igreja, foi ontem um dos pontos mais debatidos e criticados no documento.
- “O documento é uma bofetada na cara das mulheres. O papa está prejudicando a si mesmo” (Pat Brown, do grupo Catholic Women’s Ordination).
- “Uma das declarações mais insultuosas e misóginas que o Vaticano fez desde há muito tempo. Como pode uma mulher que tenha respeito por si mesma querer continuar a fazer parte de uma organização que considera a participação plena e igualitária como um "crime grave"? A resposta continua a ser um mistério para mim.” (Terry Sanderson, presidente da National Secular Society).
- “O documento é extremamente prejudicial para as mulheres, uma vez que fecha a porta a qualquer possibilidade de debate sobre o acesso das mulheres a posições de responsabilidade, num momento histórico que vê as mulheres sub-representados em todas as esferas: política, religiosa e civil. Devemos encorajar a Igreja a compreender e aceitar que os direitos das mulheres não são incompatíveis com a fé religiosa.” (Vivienne Hayes, do Woman’s Resource Centre)
- “Às vezes perguntamo-nos o que temos na cabeça. Isto é misturar alhos com bugalhos: o fato das mulheres quererem servir a Deus não tem nada a ver com os padres que abusam de crianças. Estou horrorizada.” (Sor Christine Schenk, presidente da Future Church).
- “Há uma longa lista de coisas que não pode ser feita, e nós já sabíamos. Mas juntar a questão do ministério da Mulher e os pedófilos no mesmo documento é realmente ridículo.” (comentário de um padre de Melbourne (Austrália), que não por acaso quis manter o anonimato).
- “O Vaticano vive num universo paralelo.” (Paul Collins, ex-padre e comentarista católico).
- “Tive que ler três vezes o parágrafo do artigo do Guardian para ter a certeza do que estava lendo” (Bonnie Erbe do US News)
- O blog "On Faith" do Washington Post chama o anúncio "terrível, ofensivo e digno de protesto por parte de todos os católicos do mundo". William Crawley da BBC fala de "um novo auto-golo da Igreja.”

Não haja dúvida que o obscurantirmo medievalista da igreja romana continua bem vivo nos dias de hoje. Sinais dos tempos ou sinais de uma igreja decadente e corrupta?

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