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REALMENTE TOCADO, PELO IRREAL

por Thynus, em 26.04.17

Sou um chorão. Raramente consigo ler um livro ou ver um filme sem derramar umas lágrimas. Eu me desarmo todo quando Jimmy Stewart pede a Clarence, em A felicidade não se compra, para que o deixe voltar a viver. No cinema, não consegui suprimir um suspiro embaraçosamente alto quando a Fera, espantada, murmura para a Bela: “Você voltou, Belle; você voltou”. E Bogart, colocando Bergman naquele avião em Casablanca? Sempre bom ter, pelo menos, uns três lenços.

O que não entendo é por que isso acontece. Por que sou tocado quando as alegrias e tristezas não são minhas – nem mesmo reais?

Uma ideia é que, quando estamos imersos em um filme, temporariamente nos esquecemos de que estamos observando uma ficção, mas isso parece difícil de aceitar. Se estou assistindo a um DVD, posso me levantar, fazer uma ligação, depois voltar a assistir e chorar. Ou poderia continuar a comer pipoca enquanto choro. Certamente não faria essas coisas durante momentos de tristeza da vida real. Da mesma maneira, poderia sentir terror quando assisto a Jurassic Park – mas nunca fico tentado a correr gritando do cinema, o que certamente faria se por um breve momento me esquecesse de que esses dinossauros não são reais.

Outra ideia é que somos tocados pela empatia ou compaixão, afinal, eu raramente consigo assistir ao noticiário sem chorar também pela miséria dos outros. Mesmo assim, ao que parece, a pergunta não está respondida. A dor que vejo dessa maneira não é a minha dor, os terríveis eventos mostrados não aconteceram comigo ou sequer experimentei qualquer coisa parecida em minha própria vida, portanto dizer que tenho empatia é dizer que sou tocado, mas não explica por que sou tocado.

E, certamente, não explica por que sou tocado por coisas que não são reais.

Então, não, ninguém é colocado em um avião quando Bogart coloca Bergman naquele avião, e ninguém realmente volta quando Belle, a Bela, retorna. Mas por alguma razão isso não me impede de abrir outra caixa de lenços de papel.

 


(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)


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publicado às 01:03

Bem. Você não precisa ser um filósofo para ver que essa declaração está certa. Afinal, só existem essas duas opções aqui: sim ou não. Então, ou você concorda ou discorda.
E isso é tudo que você precisa saber para entender que não tem livre-arbítrio.
Vejamos, qualquer ação sua possível, como usar um colete azul com listras amanhã. Como antes, ou você usa ou não usa esse colete. Nenhum de nós pode saber agora o que vai acontecer – talvez devamos esperar para ver como você vai se sentir amanhã de manhã, mas sabemos que uma das opções vai ocorrer.
Suponha que é a primeira: é verdade que você vai usar aquele colete amanhã. Se for verdade agora que você vai usá-lo, não há nada que você possa fazer para não usá-lo, porque se você pudesse decidir não usar, então não seria verdade que você vai usar, ao contrário da nossa suposição. Assim, se a primeira opção é correta, não há nada que se possa fazer com relação a isso: você vai usar aquele colete.
Agora, suponha que seja a segunda opção: é verdade que você não vai usar o colete. Mas se é verdade que você não vai usar o colete, não há nada que você possa fazer para usá-lo, porque, se pudesse usá-lo, não seria verdade agora que você não vai usá-lo, ao contrário das nossas suposições. Se a segunda opção é correta, não há nada que você possa fazer com relação a isso: você não vai usar o colete.
Portanto, a resposta é não, não podemos saber agora qual opção acontecerá. Mas sabemos que uma delas vai ser e, independentemente de qual for, não havia nada que você pudesse fazer a respeito disso. Então, o que for, não terá sido uma livre escolha sua.
E, é claro, o mesmo se aplica a qualquer ação possível. Pois ou você vai ou não vai se casar com aquela pessoa; ou vai ou não vai comer a sobremesa; e ou vai ou não vai errar feio na roupa que escolher amanhã.
E é verdade agora, resumindo, que você não tem opções reais sobre qualquer coisa que fizer.
 

* SÓ DEUS SABE O QUE VOCÊ VAI FAZER

(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

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publicado às 23:33

Imagine que você recebeu um livro chamado Sua vida. O capítulo 1 começa com seu nascimento e o primeiro ano de sua vida, tudo com impressionantes detalhes. Como todas as boas biografias, contém todas as verdadeiras declarações sobre sua vida, e você percebe que o livro continua com (esperamos que muitos) capítulos sobre seu futuro.
Suponhamos que há algumas notícias ruins no futuro. O livro diz que em uma noite de sábado você vai entrar no seu carro às 20h45, pegar seu namorado (ou namorada) às 21h05, sofrer um acidente às 21h23 na Broad Street com James, matando seu acompanhante. Você vai, claro, tentar evitar esse resultado. Não vai entrar no carro. Mas, espere, o livro só contém declarações verdadeiras. Então, de alguma maneira você deve acabar no carro. Talvez, você não vá até a casa de seu namorado(a). Mas como o livro diz que você vai, seus esforços para evitar isso devem fracassar. Que estranho! Você tenta falar: “Não entre no carro!”, mas, em vez disso, você se pega dizendo: “Pula aí, querido!”. Você tenta evitar o cruzamento fatal, mas não consegue. Alguma força milagrosa o impede a virar o volante de modo a colocá-la ali às 21h23, exatamente quando o outro carro passa o sinal vermelho…
Essa história é obviamente implausível, pois exige invocar forças misteriosas que o impelem contra sua vontade, e ninguém acredita em tais forças. O mais plausível em que acreditar é simplesmente isto: você será capaz de evitar o resultado previsto de muitas maneiras.
Mas, perceba: o que gerou todo o cenário incrível foi a hipótese de que você poderia conhecer de modo confiável seu futuro. Se o que sai dessa hipótese é algo impossível de acreditar, então ela deve ser falsa. Portanto, é impossível conhecer de forma confiável seu futuro. Ninguém – nem mesmo Deus! – poderia conhecer precisamente suas ações futuras e contá-las a você.
E por quê? Porque, para quase toda previsão que você pudesse conhecer antecipadamente, poderia mudá-la.
É porque, em outras palavras, você tem livre-arbítrio.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)
 

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publicado às 23:32

Toda escolha que faço parece apresentar duas opções: a que eu escolho e a que instantaneamente me arrependo de não ter tomado. Eu sempre acabo querendo uma “segunda chance”, como se pudesse voltar no tempo e fazer outra escolha, mas claro que não dá para fazer isso. Mesmo se você pudesse voltar no tempo, não poderia fazer outra escolha.
O que explica as escolhas que tomamos? Bem, muitas coisas. Às vezes, temos palpites e instintos. Temos características complicadas, como nossa personalidade e nosso caráter, e muitas das nossas escolhas são fruto de nossas crenças particulares, desejos ou valores. E são as leis da natureza. Somos pelo menos criaturas físicas, e nossos corpos e cérebros operam de acordo com essas leis. E o que nós fazemos tem a ver com o que nossos cérebros mandam que façamos.
Mas nós controlamos essas coisas?
Certamente não nossos palpites; eles simplesmente surgem. Com certeza tampouco nossa personalidade, pois, se pessoas chamadas nerds pudessem, não seriam legais, assim como nós? Conseguimos controlar em que acreditamos? Tente acreditar que há um elefante bem na sua frente. Não dá. Seus valores? Tente mudar sua opinião sobre algum assunto moral controverso. Não consegue. E certamente não controlamos as leis da natureza que controlam nossos cérebros.
Não controlamos nenhum dos fatores que controlam nosso comportamento.
Ao viver, parece que temos verdadeiras opções à nossa frente; que a estrada se divide em vários caminhos e que depende de nós qual deles vamos tomar. Mas isso é uma ilusão. Não existem vários caminhos. O que você “escolhe” está inteiramente determinado por todos esses fatores que não estão sob seu controle. Na verdade, só existe uma única estrada à frente, cheia de curvas e declives, e você simplesmente não tem nenhuma escolha, a não ser segui-la.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

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publicado às 23:31


POR QUE VOCÊ AINDA ESTÁ AQUI?

por Thynus, em 24.04.17
Bem, eu estava aqui há um segundo e não fui embora.
Claro, quando me fizeram essa pergunta, quem a faz tipicamente não está procurando uma explicação, mas, em vez disso, minha saída imediata. Acontece que a resposta não explica nenhuma das duas.
Porque a questão mais profunda é esta: o que o mantém, ou qualquer coisa – este livro, este carro, esta Terra – em existência de um momento para o outro? Certamente parece que qualquer coisa poderia, pelo menos em tese, deixar de existir a qualquer momento. Então, por que não deixa de existir?
Sim, você estava aqui há um segundo. Mas a sua existência em um instante explica sua existência no seguinte? Não parece. Porque não é impossível que você deixe de existir a qualquer momento, então o fato de existir no instante 1 não significa que você deve existir no instante 2. Portanto, ainda precisamos de uma explicação por que você ainda está aqui no instante 2.
É tentador dizer que as coisas têm alguma força ou poder para resistir e isso é o que as mantêm em existência. Mas essa resposta não funciona, porque o mesmo problema pode confrontar a força em si! Coisas não existentes obviamente não podem exercer nenhum poder causal, então, se a força em si não existe no instante 2, não pode causar seu efeito – como é a sua existência – no instante 2. Dessa maneira, a força em si deve permanecer do instante 1 para o instante 2. Mas o que a mantém em existência durante aquele intervalo?
Poderia alguma outra coisa, distinta de você, explicar por que você permanece existindo? Não se essa outra coisa pudesse deixar de existir porque, então, o mesmo problema existirá para ela.
Se quiséssemos realmente explicar por que persistimos de momento a momento, parece que precisamos invocar a atividade de algo que poderia não ter a possibilidade de deixar de existir.
Pode ser que o simples fato de que você está aqui agora – e agora – e agora – signifique que Deus existe?
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

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publicado às 23:31

Existe uma piada filosófica: o otimista diz: “Este é o melhor de todos os mundos possíveis”. E o pessimista concorda.
Claro, por esse padrão, a maioria das pessoas não é nem otimista, nem pessimista, já que parece óbvio que esse mundo não é o melhor possível. É só pegar alguma coisinha ruim – como essa piada – e imaginá-la substituída por outra piada melhor. Não seria um mundo melhor, mesmo com uma mudança pequena? E se um mundo melhor fosse possível, então nosso mundo real não seria o melhor possível.
Agora pense que um Deus todo-poderoso, sábio e bondoso criasse o melhor de todos os mundos possíveis. Se nosso mundo atual não é o melhor possível, então Deus não deve existir. Aquela piada ruim prova, portanto, que Deus não existe!
Ou existe?
Esse raciocínio supõe que estamos em uma posição para julgar o valor geral do mundo. Por exemplo, imaginamos que podemos pensar em mundos “melhores” eliminando fatos desagradáveis do mundo real. Mas não é tão simples. Substitua aquela piada ruim por uma melhor; você riria por alguns segundos, em vez de grunhir por um só. Certo, mas aí você sairia de casa mais tarde e talvez tivesse um acidente fatal que teria evitado se tivesse saído na hora certa. Dessa maneira, a cura para o câncer que você produziria daqui a dez anos nunca será encontrada. Não sabemos, não há como saber.
Mas não precisamos saber. Até onde nos concerne, este mundo é, no geral, tão bom quanto qualquer outro. Até onde sabemos, qualquer outro mundo seria, na verdade, pior. Então, não sabemos se este é o melhor dos mundos possíveis – mesmo assim não podemos saber se não é. Se não podemos saber que não é, então a existência deste mundo – as coisas más, as piadas ruins etc. – não podem rebater a existência de Deus.
Pode ser um pequeno consolo reconhecer que Deus poderia existir apesar de todo o mal, mas mesmo um pequeno consolo não deixa de ser um consolo.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)
 

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publicado às 23:30


A INTOLERÂNCIA É UMA VIRTUDE

por Thynus, em 24.04.17
A tolerância é uma virtude, pelo menos é o que pensam muitos. Claro que essas pessoas têm motivos nobres: sociedades diferentes possuem morais diferentes, elas dizem, e não deveríamos assumir de maneira arrogante que a nossa moral é a correta, portanto, “vamos ser tolerantes com as diferenças”. Mas esse tipo de tolerância universal realmente não faz sentido. Se você acredita que certa prática é moralmente errada, então não deveria tolerá-la, porque seria aprová-la. E se você acredita que a prática é moralmente aceitável, não está “tolerando”, está concordando! Assim, se você realmente acha que uma prática está errada, deveria pensar que está errada para todos.
Suponhamos que você fosse um professor e aplicasse testes idênticos a duas turmas de séries diferentes. Os estudantes ficariam escandalizados. Por quê? Porque você estaria concedendo uma diferença no “valor” – uma série diferente – onde não havia nenhuma diferença subjacente nos “fatos” – aqui, respostas – para justificá-la. E isso está claramente errado.
Mas aqueles nobres tolerantes estão fazendo a mesma coisa. Os ocidentais condenam (por exemplo) “a mutilação genital feminina”, ao passo que vários outros consideram isso uma obrigação moral. Um tolerante – que acredita que não “tolerar” os outros está errado – está, na verdade, criando uma diferença “no valor”: aquela prática é errada para “nós”, mas aceitável “para eles”. Mas agora, quais são as diferenças relevantes nos fatos entre os dois casos para justificar a criação desses valores diferentes? Não há nenhuma.
É verdade que diferentes sociedades possuem diferentes crenças com relação à moral, mas pensemos que alguém acredita que sexo entre um adulto e uma criança seja moralmente aceitável. Não importa quão nobres tolerantes possamos ser, não toleraríamos essa pessoa. Por quê? Simplesmente porque sua crença de que sexo com crianças é aceitável não faz com que seja, nem seria se este homem tivesse uma dúzia de amigos que compartilhassem sua crença, ou mesmo algumas centenas ou milhares, ou toda a sociedade. A legitimidade moral não pode ser encontrada em números.
Se você acredita que uma prática está errada, então tenha a coragem de defender suas convicções: é errado para todos.
Você não deveria tolerar os tolerantes.
 

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publicado às 23:29


PLUGAR OU NÃO PLUGAR

por Thynus, em 24.04.17
Não existe nada mais importante, para muitas pessoas, do que descobrir o que é importante.
E como já vimos, podemos montar um bom caso sobre o fato de que nada importa mais, que não valorizamos mais do que a felicidade. Queremos várias coisas pelo bem da felicidade que nos traz, mas a felicidade queremos por si só. A vida moral genuína, correspondentemente, seria a voltada para trazer a maior quantidade de felicidade à maioria das pessoas.
Exceto por um problema.
Imagine que há uma máquina que poderia criar qualquer experiência que você deseja. Quando você a pluga em seu cérebro, ele é estimulado para poder sentir qualquer experiência que o faça feliz: sentir o deleite de uma praia quente, as sensações de uma ótima massagem ou, para os esportistas, a experiência de uma vigorosa e longa corrida de bicicleta. Ou talvez você tenha gostos mais elevados, então o que o deixaria feliz seriam as experiências de ter uma boa conversa com um amigo, ou entender os últimos avanços na física, talvez até ganhar o Prêmio Nobel. Ou talvez você seja, bem, um pouco diferente, e seria mais feliz experimentando algum sofrimento. Qualquer experiência que quiser, você só precisa se plugar e a máquina pode criar.
Você se plugaria nessa máquina – não meramente por uns poucos minutos, mas, digamos, pelo resto da sua vida?
A maioria das pessoas, quando perguntamos, estaria inclinada a dizer não. O que nos importa, parece, não é apenas ter certas experiências, mas na verdade fazer várias coisas. Queremos realmente fazer aquele passeio de bicicleta, não só ter a experiência sensorial. Queremos realmente ganhar o Prêmio Nobel, não só ter a experiência de ganhar – mesmo se, enquanto estivéssemos na máquina, nunca saberíamos que não era real. Não são somente as experiências que importam: é algo mais.
Portanto, a felicidade não deve ser o que fundamentalmente valorizamos, porque, se fosse, todos iriam querer se plugar na máquina que pode nos dar todas as formas de felicidade que procuramos.
Mas não nos plugaríamos.
Então há algo mais.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

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publicado às 23:28


A SORTE DO ACASO

por Thynus, em 24.04.17
“A vida não é justa”, reclamam muitas pessoas – apesar de que normalmente só quando a injustiça é desvantajosa para elas. Uma olhada breve sobre isso rapidamente revela grandes disparidades em todos os tipos de “bens”: saúde, riqueza, poder, status, e assim por diante. E há, na verdade, muitos casos em que indivíduos podem reclamar legitimamente de injustiça.
Mas há, talvez, menos injustiça no geral do que você poderia pensar.
Porque muitas disparidades podem ser traçadas até uma mais fundamental: a disparidade do nascimento. Algumas pessoas nascem com maior inteligência do que outras. Algumas nascem mais saudáveis; algumas nascem em países desenvolvidos, em famílias financeiramente estáveis e comunidades prósperas, ao passo que outras, não. Você (por exemplo) nasceu inteligente, bonito e com dinheiro, e eu só consigo tomar banho duas vezes por mês, com meus cinco irmãos, quando há dinheiro para pagar a conta de água. Que injusto!
É mesmo?
Imagine que você está em uma situação desesperada: onze pessoas em um bote salva-vidas que só suporta dez. Um de vocês deve ser sacrificado para que o resto possa sobreviver. Todo mundo quer sobreviver. Todo mundo merece sobreviver. Como você escolheria, da melhor maneira possível, a pessoa a ser sacrificada?
Você, sem dúvida, montaria algum tipo de loteria aleatória. Talvez jogando uma moeda; um torneio de joquempô; ou quem tirar o graveto menor. Se o seu for o menor, seria realmente terrível, um desastre e uma catástrofe, mas não seria injusto, porque algo aleatório, por definição, não pode ser injusto. O aleatório não tem inclinação nem preconceito; todo mundo possui uma oportunidade igual ou encara uma ameaça igual, antes de um genuíno processo aleatório.
A aleatória loteria do nascimento, que gera tanta disparidade, realmente pode ser terrível, um desastre, uma catástrofe. Para fazer que o mundo seja melhor, temos muitas razões para lutar contra isso e tentar corrigi-lo.
Mas não, necessariamente, porque seja injusto.
 
 
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publicado às 23:27


PAPAI-NOEL E SCROOGE

por Thynus, em 24.04.17
Algumas pessoas, procurando um modelo de inspiração, se voltam para a religião e se perguntam: “O que Jesus faria?”. Mas acho que o próprio Jesus não perguntaria isso. Então que tal outro modelo: Papai-Noel?
Bom, generosidade é algo bom; não estou questionando isso. Mas nunca descobrimos por que o Papai-Noel dá presentes, e não podemos avaliá-lo moralmente sem saber seus motivos. De acordo com alguns, na verdadeira fonte histórica da lenda, Papai-Noel só dava presentes aos pobres. Isso é admirável, mas há uma longa distância entre isso e recompensar cada moleque mal-educado do planeta, incluindo os ricos. Em relação ao Papai-Noel de hoje – que recompensa aqueles que se comportam bem e pune os que fizeram coisas erradas –, bem, se as crianças se comportam bem só para ganhar o mais recente videogame, então não estamos ensinando nada sobre a verdadeira moral. E se o Papai-Noel é o principal meio aqui, pior para ele.
Certo, vamos dar o benefício da dúvida ao bom velhinho. Vamos supor que simplesmente aceitamos que Papai-Noel dá presentes por pura e natural generosidade. Isso o transformaria num modelo ideal?
Talvez. Mas existe outra possibilidade. Pensemos no famoso personagem Scrooge, de Charles Dickens. Ele não é exatamente uma pessoa generosa. É, bem, um verdadeiro mão de vaca. Mas vamos alterar os detalhes da história um pouco. No final de sua experiência, ele continua tendo o mesmo caráter básico: mal-humorado, desagradável e decididamente antigeneroso, mas agora o filósofo dentro dele chegou à conclusão de que ser generoso é uma virtude boa e admirável. Ao contrário do Papai-Noel, ele não se sente generoso e precisa superar algo dentro dele para poder ser. Mas ele faz isso porque agora é guiado pelo que é certo, em vez de pelo que sente.
Assim, agora, quem é mais admirável: a pessoa generosa que dá presentes de forma fácil e natural, ou a pessoa que precisa superar até sua própria antipatia para poder agir de forma generosa?
Eu me pergunto o que Papai-Noel e Scrooge falariam.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

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